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| A morte da virgem de Caravaggio |
No princípio deste mês, a França elegeu um novo governo: o primeiro governo socialista dos últimos 17 anos. O dia 6 de Maio, de 2012, foi um dia negro para a direita francesa (e europeia); mas a responsabilidade recai toda sobre os conservadores franceses que devem bater no peito recintando “mea culpa, me culpa, mea maxima culpa!”
Dos 27 membros da União Europeia, somente 3 têm governos de esquerda (Áustria, Chipre e França); não obstante, aquando da vitória de François Hollande, ouviram-se alguns analistas celebrar o retorno da esquerda e, outros a vaticinar o regresso da besta.
O único comentário que fiz (no twitter), no dia 6 de Maio, foi: “Não posso criticar Hollande antes d’ele começar a trabalhar. Mas previsão: não irá cumprir a maioria das promessas eleitorais, não vai poder”
Estará o socialismo de regresso à Europa? Depende dos 24 governos de direita: conseguirão promover o crescimento económico?
François Hollande foi revolucionário na maneira como formou o seu governo: 17 mulheres, 17 homens e etnicamente equilibrado. Hollande disse “adieu” aos típicos governos caucasianos que geralmente governam a Europa e, em nada reflectem a realidade das sociedades europeias. Este pequeno detalhe faz toda a diferença. Por exemplo, quando o partido conservador de David Cameron (R.U.) ganhou as eleições toda a gente esperava que ele formasse um governo que reflectisse a sociedade etnicamente diversificada do Reino Unido, mas em vez disso nomeou a habitual administração caucasiana e masculina, desapontando assim toda a gente – isto é péssimo RP e não reflecte o eleitorado Britânico.
A direita tem de parar de ser tacanha e de perder oportunidades; a direita precisa de tirar mais proveito da juventude energética e, principalmente, precisa de atrair os jovens abordo do navio conservador (coisa que não acontecerá se aqueles não se identificarem com os partidos conservadores).
Para além disso, os de direita precisam de trabalhar duas coisitas:
1) Imagem: aparentam uma rigidez mórbida (o penteado é horroroso; o código de vestuário é assustador; a postura é repelente e, transmitem a imagem de terem uma vida sexual enfadonha. Basicamente, a sua imagem é obsoleta). Eles deveriam ter mais estilo para mostrar que o conservadorismo também pode ser cool e têm de ser mais etnicamente diversificados (afim de atrair os jovens).
2) Mensagem: aprender como transmitir a diferença entre a imigração legal e ilegal; sob pena de darem a impressão de que todos os conservadores são racistas. Utilizar linguagem mais simplificada para que a mensagem chegue a todos os estratos da sociedade. Parar de incluir a religião no discurso político (aquela subentende-se nos valores conservadores: Deus, Família, Pátria), concentrem-se na política. Ostracizar o extremismo e toda a postura política démodé.
O movimento conservador precisa de uma reconstrução drástica, ou então correrá o risco de ser ultrapassada pelo movimento socialista (que parece conectar-se melhor com a juventude [ao vender-lhe sonhos, mas pronto] e transmitir uma imagem mais fresca).
Não é difícil entrar no século XXI; mas se a direita não se despacha, em breve, carpiremos junto ao seu cadáver...
